Sexualidade, Gênesis e Apocalipse

Como medir a importância da sexualidade para Deus? Como poderíamos dimensionar a relevância cultural e espiritual que tal assunto possui tanto dentro da narrativa bíblica, quanto no cotidiano do homem moderno?

A atualidade do tema diz respeito às novas formas de enfrentamento de velhas questões. Os contextos, os termos psicológicos e os eufemismos com os quais chamamos os antigos pecados se modernizaram, mas vivemos os mesmos dilemas enraizados em nossa origem.

Precisamos conhecer nosso início, pois nosso destino redimido está desenhado na linha de partida, lá na pureza do Éden.

Adão e Eva desfrutavam de uma intimidade sexual perfeita, pois não havia as barreiras do egoísmo, da violência e dos julgamentos. Antes do pecado, vivia-se a plenitude das relações e a integridade dos sentimentos. Não havia crise de identidade ou doenças sexualmente transmissíveis.

Hoje, em contrapartida, vivemos uma realidade caída. Estamos todos como espelhos quebrados, que refletem desordem. O pecado nos rompeu, os vícios impedem a liberdade e a beleza das relações interpessoais, a sedução e a luxúria transformam as pessoas em objetos de conquista. O que era uma benção estonteante se manifesta como um campo no qual podemos colher muitas maldições. Nada disso estava no plano original de Deus para a sexualidade humana.

Jesus entendia como ninguém a real natureza da sexualidade: a conexão entre pessoas.

Jesus veio ao mundo na condição de celibatário, não possuía vida sexual ativa, porém entendia como ninguém a real natureza da sexualidade: a conexão entre pessoas. Ele viveu conectado com a gente, e por isso ensinou como se relacionar. Apesar de nunca ter sido um “garanhão” foi um homem sexualmente resolvido, e um mestre da intimidade. Ele é o nosso caminho de redenção. Jesus, o segundo Adão, trouxe dignidade e resgate a sua noiva.

Veja como a bíblia trata a relação entre a igreja e o Cristo: Um noivado. Em Gênesis temos o primeiro casamento (Adão e Eva), nos evangelhos vemos o noivado e a paixão de Cristo por sua amada noiva, e, finalmente, em Apocalipse lemos sobre o último e eterno casamento, as bodas do cordeiro, na qual todos seremos dele. No céu não há “solterice” crônica. Não há desconexão.

A bíblia trata a relação entre Cristo e a igreja como um noivado.

Dentro desta perspectiva, precisamos entender que o matrimônio se realiza plenamente no ato sexual. Nele é que se configura realmente o mistério de se tornar “uma só carne” (Gn 2:24). Por isso tanta ênfase na relação sexual na Bíblia. Fato que rompe com a visão cristã religiosa que cultua ignorância e demoniza o sexo.

A palavra grega “Apocalipse” significa “Revelação”. E, é exatamente disso que precisamos. Uma revelação da sexualidade segundo Cristo em sua conectividade relacional, em sua maestria na comunhão e respeito pelo outro e na sua obediência a Deus diante dos apelos eróticos. Necessitamos da revelação de quem realmente somos e de como estamos corrompidos.

Se desejamos cura, liberdade e sabedoria preventiva, devemos aprender com o Deus do sexo, o Deus da Bíblia. Ele foi o grande “designer” do intrincado sistema que liga o cérebro, os hormônios e as terminações nervosas que recebem o prazer. Ele tem o melhor pra nós.

Portanto, ouça a Deus, quando o problema for “picante”. Ele te ensina de “Gênesis” à “Apocalipse” falando sobre sua “origem”, “revelando” sua real identidade e os modelos saudáveis nos quais a benção do sexo será potencializada.

Abraço!


David Riker é líder do Ministério Ser, pastor da Igreja Missionária da Amazônia (IBMA) e pertence ao Exodus Brasil. É teólogo pelo STBNA, formado em Arte-educação pela UFPA e graduando em Filosofia pela Uniasselvi. Marido da Brena Riker e pai da Nataly e do Pedro.

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