Pornografia e Masturbação

Todo aquele que deseja viver a vontade de Deus para sua sexualidade e busca despir-se das velhas formas de auto satisfação, vai ter que encarar a pornografia e a masturbação como práticas à serem abandonadas. Sempre teremos que lidar com nossos desejos. Ser cristão é viver governado pelo Espírito e isso confrontará as concupiscências da carne e dos olhos (1 Jo 2.16). O desejo sexual é algo natural e foi criado por Deus, no entanto após o pecado estamos em um cativeiro de corrupção (Rm 8.21), nossos anseios estão em desequilíbrio e podem nos guiar a lugares de dor e cadeias.

A pornografia e a masturbação são vistas por muitos, como práticas inocentes e divertidas, as quais não oferecem tantos problemas. Entretanto, há uma grande necessidade de enfrentamento destes comportamentos, pois são a base primordial de toda a imoralidade sexual difundida na sociedade e recorrente no corpo de Cristo.

Tudo se inicia na mente. Eis o lugar onde a batalha na esfera sexual se instá-la, não existe ninguém espiritual o suficiente para negligenciar o cuidado com o conteúdo dos seus pensamentos. Por isso estejamos atentos ao que entra em nossa mente e como tratamos nossas cobiças. Afinal, são os pensamentos que norteiam nossas atitudes e fundamentam nosso sistema de crença.

Por que é pecado?

A palavra de Deus é clara em nos advertir sobre as obras da carne. São frutos que brotam de nossa natureza pecaminosa, ou seja, a origem de tais comportamentos é doente. Nunca nos oferecerá o melhor, o mais saudável, apesar de sempre ser atrativo.

Então, do centro de nosso ser caído, que busca viver e se satisfazer independente de Deus, surgem, dentre outras coisas, obras como: “prostituição, a impureza e a lascívia” (Gl 5.19). São três palavras relativas a área sexual. Falam sobre a prática do sexo fora da aliança do casamento (prostituição) e daquilo que não levado as “vias de fato”, mas que corrompe nosso interior (impureza e lascívia). Estes últimos estão ligados diretamente a nossa mente e aos nosso desejos.

A pornografia se constitui pecado por causa da cobiça envolvida no processo de consumo dos materiais eróticos, os quais passam a nos controlar. Muitos são virgens em seus corpos, porém suas mentes estão cheias de imagens impuras e seus desejos transformam-se em senhores de suas ações.

Jesus considera isto um pecado tão comprometedor quanto o ato sexual em si. “Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.” (Mt 5.28). A lascívia é justamente esta intenção impura que corrompe nossas mentes e condiciona novos e destrutivos comportamentos. Por isso o apóstolo Paulo declarou aos filipenses: “irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” (Fp 3.8).

Com relação à masturbação, existem algumas polêmicas sobre o julgamento moral desta atitude. Gostaríamos de definir algumas coisas: a masturbação, na maioria absoluta dos casos, também envolve pensamentos lascivos, portanto o que falamos sobre a pornografia se aplica aqui; tal prática é praticada como uma espécie de fuga, ou seja, lançamos mão do prazer imediato e egoísta para não lidar direta e sobriamente com questões emocionais legítimas que precisam ser confrontadas; é uma forma infantil e pouco madura de tratar com nossos problemas; Além disso, tanto a masturbação como a pornografia se apresentam como atividades viciantes, que nos prendem a um ciclo difícil de se romper.

Diante destes fatos, o conselho de 1 Coríntios 6.12 é muito bem vindo: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas”. Não se deixar dominar é uma atitude interior baseada em uma consciência guiada pelo Espírito. E, certamente, nos levará para mais perto da plenitude sexual que Deus tem pra nós.

As dificuldades em enfrentar a pornografia e a masturbação

Existe uma ênfase exagerada ao apelo sexual em toda a sociedade atual. A oferta do prazer sexual imediato esta ligada a nossa necessidade de intimidade e de satisfação. Temos vivido a erotização de todos os processos de comunicação. A mídia, o marketing e o entretenimento descobriram no erótico uma âncora de lucro e de fidelização de seus consumidores. Não precisa ser sócio de um clube pornográfico ou assinante de uma revista desta natureza para se defronta com fortes apelos sexuais. O mundo é cada vez mais promíscuo e abertamente imoral. A pornografia esta absolutamente democratizada e faz movimentar uma grande industria que envolve milhares de pessoas. A internet inaugurou um novo paradigma quanto a este mundo. Na rede as pessoas são consumidoras e promotoras de imoralidade visual, fato que potencializa assustadoramente o alcance destes materiais.

Os filhos de Deus, mesmo nascidos de novo, não estão isentos as tentações relativas a pornografia e a masturbação. Não estamos imunes à guerra, mesmo que estejamos firmes e sinceramente comprometidos com Deus, seremos tentados. Por isso é preciso entendermos a dinâmica da tenção sexual e confiarmos na graça de Deus sobre todas as coisas. Nunca, sob nenhuma justificativa, devemos confiar em nós mesmos ou em nossa posição de “cristãos maduros” casados ou solteiros;

Satanás é um agente destruidor e aprisionador da sexualidade e tem na pornografia e na masturbação portas abertas para atuar em nossas vidas. Uma das mais bem sucedidas estratégias de Satanás é passar desapercebido. Ele deseja ser ignorado para poder agir escondido. Paulo não “ignorava seus ardis” (2 Co 2.11) e nos alertou “Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.” (Ef 6. 10-12). Precisamos estar em Deus continuamente, é o nosso relacionamento com ele que nos capacitará a vencer dia a dia as ciladas do Maligno.

O que seriam “ciladas”? São ambientes, situações decisivas, nas quais existe um perigo, algo escondido, uma armadilha bem camuflada, uma proposta que parece boa, mas que no fim é prisão. O Diabo é mestre em ilusão e engano. Ele é chamado de  “Pai da mentira” (Jo 8.44). Sempre nos promete satisfação e felicidade, depois nos dá culpa e acusações. Deus nos deu sua palavra, seu amor e sua graça para vencermos a Satanás. Nosso Pai é muitíssimo mais poderoso que o Diabo e quando estamos em suas mãos podemos lutar com armas espirituais e recorrer à sua graça qualquer que seja o resultado da batalha.

Pornografia e masturbação por serem pecados sexuais precisam ser encarados como tal, segundo a perspectiva de 1 Co 6:18: “Fujam da imoralidade sexual! Qualquer outro pecado que alguém comete não afeta o corpo, mas a pessoa que comete imoralidade sexual peca contra o seu próprio corpo.” Ou seja, pecado sexual tem o poder de se tornar compulsivo. Quando o corpo desencadeia o orgasmo, são liberadas substâncias específicas que nos dão as sensações de prazer sexual. Uma vez repetido este processo de maneira recorrente, o corpo passa a experimentar certa dependência dele.

O próprio organismo se acostuma com tal prática e passa a pedir por mais. Claro que a intensidade disto pode variar de pessoa para pessoa, e também outros fatores contribuem para o aprisionamento no ciclo vicioso do consumo de pornografia e de masturbação. É muitíssimo comum, ouvirmos relatos de indivíduos que entraram em uma espiral descendente de promiscuidade cada vez mais forte e arriscada, a qual teve início em um simples consumo de pornografia. Na verdade, temos um corpo sexual. E isto é uma dádiva de Deus. Os processos do prazer sexual e as sensações não são os erros, mas sim, a maneira como lidamos com eles. Se desrespeitarmos os limites de Deus sempre estaremos desvalorizando a benção da sexualidade. Estaremos diminuindo o potencial de satisfação que Deus tem pra nós.

Enfrentando a pornografia e a masturbação: Graça, temor e libertação

Para vencer o pecado precisamos entender o papel da Lei e o papel da Graça dentro do evangelho (2 Co 7:9-10). A lei serve para nos mostrar o pecado. Ela não tem misericórdia de nós. A sua função é revelar o quanto estamos longe dos padrões divinos. A Lei é boa e santa, porque este processo de conscientização de nossa própria iniqüidade faz parte do enredo do evangelho. Precisamos saber que não agradaremos a Deus por nós mesmos, que nunca nossos esforços nos levaram a sua santidade. Enquanto não temos a real revelação de que somos pecadores incapazes de vencer o pecado sozinhos, não nos renderemos a graça do Pai. O problema é que muitas vezes caímos no poço do legalismo e da condenação. Acreditamos que nossa religiosidade nos levará a um lugar de super espiritualidade, na qual o não haverá tentação sexual e nunca o acidente do pecado nos alcançará.

Criamos uma expectativa idealizada que nos levará a frustração. “Meus filhinhos, escrevo isso a vocês para que não pequem. Porém, se alguém pecar, temos Jesus Cristo, que faz o que é correto; ele nos defende diante do Pai. É por meio do próprio Jesus Cristo que os nossos pecados são perdoados. E não somente os nossos, mas também os pecados do mundo inteiro.” (1 Jo 2.1-2). Obviamente o desejo de Deus é que não pequemos, mas temos que está certo de que se pecarmos o seu amor por nós não acabou. Jesus vive para interceder por nós. Ele nos defende perante o tribunal de Deus e com seu sangue lava todo pecado. Renda-se a essa certeza. A segurança da graça que nos alcança mesmo quando não merecemos. Tire o jugo do legalismo sobre os seus ombros e confie no sacrifício de Jesus.

Deus nos chama à confissão e ao arrependimento não importa o quanto temos pecado. E, isso só é desta forma por causa da sua grande misericórdia (Is 1:18, 2 Co 7.9-10); A Sua correção é parte essencial do amor. Não podemos confundir correção com rejeição.  “Filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele és reprovado; porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe. É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige? Mas, se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos”. (Hb 12:5-8); Deus é Pai perfeito. Repreende na medida correta e quando o faz nunca sustenta a motivação de nos condenar ou prejudicar. Portanto, não podemos ter medo dele mesmo  diante da correção.

Nossa tendência de se esconder de Deus

Como reagimos depois que caímos no pecado da pornografia ou da masturbação? Tentamos nos esconder do Pai? Genesis capítulo 3 fala sobre isso. Depois do pecado de Adão e Eva, eles não conseguiam se mostrar para Deus tinham vergonha e medo. Mesmo diante da insistência do Senhor, não respondiam suas perguntas de maneira sincera. Além de sempre culpar outros por seus feitos. Muitas vezes nossas orações são iguais. Criamos uma retórica decorada pra falar com nosso Pai e achamos que Ele esta sempre prestes a nos condenar e destruir. Deus sabe de tudo que já fizemos e nos ama mesmo assim. Ele quer nos levantar e purificar.

Mesmo tendo acesso ao perdão de Deus, não podemos usar isso como uma permissão para pecar. O temor do Senhor, compreendido da maneira certa, nos ensina a nos afastar do mal e a honrar a Deus com nossos corpos. Temer a Deus é respeitá-lo como Senhor e buscar obedecê-lo motivados pelo Seu amor por nós; Trilhando neste caminho temos libertação; A graça nos educa a não pecar.

Lidando com a tentação

Tentação sexual é uma constante na vida cristã. E, não se constitui pecado, antes é a “gestação” do pecado. Tiago 1:14-15 diz: “Mas as pessoas são tentadas quando são atraídas e enganadas pelos seus próprios maus desejos. Então esses desejos fazem com que o pecado nasça, e o pecado, quando já está maduro, produz a morte.” Temos que ter em mente que o próprio Jesus foi tentado e quem o levou ao deserto com este propósito foi o Espírito Santo (Mt 4.1). A tentação não é pecado. Então, não devo me condenar simplesmente pelo fato de estar passando por ela. Espere ser tentado e saiba com fugir. Saiba “abortar” o pecado.

Identifique as situações em que a tentação sexual se potencializa. Por vezes, o pecado sexual aparece como fonte de “alívio” para carências emocionais (solidão, frustração, ansiedade, raiva, tristeza, etc);

Clame a Deus no momento da tentação e creia que Ele não esta contra você. Encontre-o em meio às suas fraquezas (2 Co 12:10); Quando vemos em nós surgir a luta da tentação, infelizmente, a última coisa que pensamos é em orar. Erro fatal. A culpa antecipada pelo pecado que nem se consumou ainda nos envergonha. Enquanto isso a bíblia afirma que Jesus, o sumo sacerdote, se compadece de nossas fraquezas e está pronto para nos socorrer. Achegue-se, confiadamente, ao trono da graça de onde vem o poder para obedecer (Hb 4. 15-16).

É possível termos medidas radicais e preventivas quanto a fugir e a evitar “ambientes” de tentação sexual (Mt 5:27-30). Existem ambientes, hábitos, amizades que precisam ser abandonadas por você. Isso não é negociável. O que nossos olhos vêem, por onde nossos pés andam, com quem compartilhamos nosso tempo, por onde navegamos na internet irão influenciar nossa decisão de obedecer a Deus.

É necessário nos associarmos a alguém de confiança, com o qual prestaremos conta. Andar sozinho é aumentar o nosso risco de quedas. Abra-mão de sua reputação ou de suas mascaras e conte as suas lutas e quedas para alguém espiritualmente maduro.  “Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e façam oração uns pelos outros, para que vocês sejam curados. A oração de uma pessoa obediente a Deus tem muito poder.” (Tg 5.16).

A mente precisa passar por uma purificação, mediante a rejeição e substituição de pensamentos impuros por meio da oração e da Palavra de Deus; Este processo leva tempo, mas é a chave para transformação. “transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12.2).

Renda-se ao Senhor. Adore a Ele. Entregue tudo diante da Sua presença. Você não consegue vencer nada sozinho. Mas, a verdade é que Ele nunca te deixou sozinho, Seu amor é maior que as falhas e seu poder liberta-nos graciosamente.

 

Referências Bibliográficas

DAVIES, Bob. Vencendo a pornografia. Exodus Brasil.

DAVIES, Bob & RENTZEL, Lori. Restaurando a identidade. Ed. Mundo Cristão. São Paulo-SP. 2004.

LAASER, Mark. O pecado secreto. Ed. Luz e Vida. Curitiba-PR. 1996.

MEDINGER. Alan. Novos Caminhos. Regeneration Book. Londrina – PR. 2001.

GRZYBOWSKI, Carlos. Macho e fêmea os criou. Ed. Ultimato. Viçosa-MG. 1998.

GALLAGHER, Steve. Fora das profundezas do pecado sexual. Ed. Propósito Eterno. Brasília. 2005


David Riker é líder do Ministério Ser, pastor da Igreja Missionária da Amazônia (IBMA) e pertence ao Exodus Brasil. É teólogo pelo STBNA, formado em Arte-educação pela UFPA e graduando em Filosofia pela Uniasselvi. Marido da Brena Riker e pai da Nataly e do Pedro.