Pornografia e Masturbação

Todo aquele que deseja viver a vontade de Deus para sua sexualidade e busca despir-se das velhas formas de auto satisfação, vai ter que encarar a pornografia e a masturbação como práticas à serem abandonadas. Sempre teremos que lidar com nossos desejos. Ser cristão é viver governado pelo Espírito e isso confrontará as concupiscências da carne e dos olhos (1 Jo 2.16). O desejo sexual é algo natural e foi criado por Deus, no entanto após o pecado estamos em um cativeiro de corrupção (Rm 8.21), nossos anseios estão em desequilíbrio e podem nos guiar a lugares de dor e cadeias.

A pornografia e a masturbação são vistas por muitos, como práticas inocentes e divertidas, as quais não oferecem tantos problemas. Entretanto, há uma grande necessidade de enfrentamento destes comportamentos, pois são a base primordial de toda a imoralidade sexual difundida na sociedade e recorrente no corpo de Cristo.

Tudo se inicia na mente. Eis o lugar onde a batalha na esfera sexual se instá-la, não existe ninguém espiritual o suficiente para negligenciar o cuidado com o conteúdo dos seus pensamentos. Por isso estejamos atentos ao que entra em nossa mente e como tratamos nossas cobiças. Afinal, são os pensamentos que norteiam nossas atitudes e fundamentam nosso sistema de crença.

Por que é pecado?

A palavra de Deus é clara em nos advertir sobre as obras da carne. São frutos que brotam de nossa natureza pecaminosa, ou seja, a origem de tais comportamentos é doente. Nunca nos oferecerá o melhor, o mais saudável, apesar de sempre ser atrativo.

Então, do centro de nosso ser caído, que busca viver e se satisfazer independente de Deus, surgem, dentre outras coisas, obras como: “prostituição, a impureza e a lascívia” (Gl 5.19). São três palavras relativas a área sexual. Falam sobre a prática do sexo fora da aliança do casamento (prostituição) e daquilo que não levado as “vias de fato”, mas que corrompe nosso interior (impureza e lascívia). Estes últimos estão ligados diretamente a nossa mente e aos nosso desejos.

A pornografia se constitui pecado por causa da cobiça envolvida no processo de consumo dos materiais eróticos, os quais passam a nos controlar. Muitos são virgens em seus corpos, porém suas mentes estão cheias de imagens impuras e seus desejos transformam-se em senhores de suas ações.

Jesus considera isto um pecado tão comprometedor quanto o ato sexual em si. “Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.” (Mt 5.28). A lascívia é justamente esta intenção impura que corrompe nossas mentes e condiciona novos e destrutivos comportamentos. Por isso o apóstolo Paulo declarou aos filipenses: “irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” (Fp 3.8).

Com relação à masturbação, existem algumas polêmicas sobre o julgamento moral desta atitude. Gostaríamos de definir algumas coisas: a masturbação, na maioria absoluta dos casos, também envolve pensamentos lascivos, portanto o que falamos sobre a pornografia se aplica aqui; tal prática é praticada como uma espécie de fuga, ou seja, lançamos mão do prazer imediato e egoísta para não lidar direta e sobriamente com questões emocionais legítimas que precisam ser confrontadas; é uma forma infantil e pouco madura de tratar com nossos problemas; Além disso, tanto a masturbação como a pornografia se apresentam como atividades viciantes, que nos prendem a um ciclo difícil de se romper.

Diante destes fatos, o conselho de 1 Coríntios 6.12 é muito bem vindo: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas”. Não se deixar dominar é uma atitude interior baseada em uma consciência guiada pelo Espírito. E, certamente, nos levará para mais perto da plenitude sexual que Deus tem pra nós.

As dificuldades em enfrentar a pornografia e a masturbação

Existe uma ênfase exagerada ao apelo sexual em toda a sociedade atual. A oferta do prazer sexual imediato esta ligada a nossa necessidade de intimidade e de satisfação. Temos vivido a erotização de todos os processos de comunicação. A mídia, o marketing e o entretenimento descobriram no erótico uma âncora de lucro e de fidelização de seus consumidores. Não precisa ser sócio de um clube pornográfico ou assinante de uma revista desta natureza para se defronta com fortes apelos sexuais. O mundo é cada vez mais promíscuo e abertamente imoral. A pornografia esta absolutamente democratizada e faz movimentar uma grande industria que envolve milhares de pessoas. A internet inaugurou um novo paradigma quanto a este mundo. Na rede as pessoas são consumidoras e promotoras de imoralidade visual, fato que potencializa assustadoramente o alcance destes materiais.

Os filhos de Deus, mesmo nascidos de novo, não estão isentos as tentações relativas a pornografia e a masturbação. Não estamos imunes à guerra, mesmo que estejamos firmes e sinceramente comprometidos com Deus, seremos tentados. Por isso é preciso entendermos a dinâmica da tenção sexual e confiarmos na graça de Deus sobre todas as coisas. Nunca, sob nenhuma justificativa, devemos confiar em nós mesmos ou em nossa posição de “cristãos maduros” casados ou solteiros;

Satanás é um agente destruidor e aprisionador da sexualidade e tem na pornografia e na masturbação portas abertas para atuar em nossas vidas. Uma das mais bem sucedidas estratégias de Satanás é passar desapercebido. Ele deseja ser ignorado para poder agir escondido. Paulo não “ignorava seus ardis” (2 Co 2.11) e nos alertou “Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.” (Ef 6. 10-12). Precisamos estar em Deus continuamente, é o nosso relacionamento com ele que nos capacitará a vencer dia a dia as ciladas do Maligno.

O que seriam “ciladas”? São ambientes, situações decisivas, nas quais existe um perigo, algo escondido, uma armadilha bem camuflada, uma proposta que parece boa, mas que no fim é prisão. O Diabo é mestre em ilusão e engano. Ele é chamado de  “Pai da mentira” (Jo 8.44). Sempre nos promete satisfação e felicidade, depois nos dá culpa e acusações. Deus nos deu sua palavra, seu amor e sua graça para vencermos a Satanás. Nosso Pai é muitíssimo mais poderoso que o Diabo e quando estamos em suas mãos podemos lutar com armas espirituais e recorrer à sua graça qualquer que seja o resultado da batalha.

Pornografia e masturbação por serem pecados sexuais precisam ser encarados como tal, segundo a perspectiva de 1 Co 6:18: “Fujam da imoralidade sexual! Qualquer outro pecado que alguém comete não afeta o corpo, mas a pessoa que comete imoralidade sexual peca contra o seu próprio corpo.” Ou seja, pecado sexual tem o poder de se tornar compulsivo. Quando o corpo desencadeia o orgasmo, são liberadas substâncias específicas que nos dão as sensações de prazer sexual. Uma vez repetido este processo de maneira recorrente, o corpo passa a experimentar certa dependência dele.

O próprio organismo se acostuma com tal prática e passa a pedir por mais. Claro que a intensidade disto pode variar de pessoa para pessoa, e também outros fatores contribuem para o aprisionamento no ciclo vicioso do consumo de pornografia e de masturbação. É muitíssimo comum, ouvirmos relatos de indivíduos que entraram em uma espiral descendente de promiscuidade cada vez mais forte e arriscada, a qual teve início em um simples consumo de pornografia. Na verdade, temos um corpo sexual. E isto é uma dádiva de Deus. Os processos do prazer sexual e as sensações não são os erros, mas sim, a maneira como lidamos com eles. Se desrespeitarmos os limites de Deus sempre estaremos desvalorizando a benção da sexualidade. Estaremos diminuindo o potencial de satisfação que Deus tem pra nós.

Enfrentando a pornografia e a masturbação: Graça, temor e libertação

Para vencer o pecado precisamos entender o papel da Lei e o papel da Graça dentro do evangelho (2 Co 7:9-10). A lei serve para nos mostrar o pecado. Ela não tem misericórdia de nós. A sua função é revelar o quanto estamos longe dos padrões divinos. A Lei é boa e santa, porque este processo de conscientização de nossa própria iniqüidade faz parte do enredo do evangelho. Precisamos saber que não agradaremos a Deus por nós mesmos, que nunca nossos esforços nos levaram a sua santidade. Enquanto não temos a real revelação de que somos pecadores incapazes de vencer o pecado sozinhos, não nos renderemos a graça do Pai. O problema é que muitas vezes caímos no poço do legalismo e da condenação. Acreditamos que nossa religiosidade nos levará a um lugar de super espiritualidade, na qual o não haverá tentação sexual e nunca o acidente do pecado nos alcançará.

Criamos uma expectativa idealizada que nos levará a frustração. “Meus filhinhos, escrevo isso a vocês para que não pequem. Porém, se alguém pecar, temos Jesus Cristo, que faz o que é correto; ele nos defende diante do Pai. É por meio do próprio Jesus Cristo que os nossos pecados são perdoados. E não somente os nossos, mas também os pecados do mundo inteiro.” (1 Jo 2.1-2). Obviamente o desejo de Deus é que não pequemos, mas temos que está certo de que se pecarmos o seu amor por nós não acabou. Jesus vive para interceder por nós. Ele nos defende perante o tribunal de Deus e com seu sangue lava todo pecado. Renda-se a essa certeza. A segurança da graça que nos alcança mesmo quando não merecemos. Tire o jugo do legalismo sobre os seus ombros e confie no sacrifício de Jesus.

Deus nos chama à confissão e ao arrependimento não importa o quanto temos pecado. E, isso só é desta forma por causa da sua grande misericórdia (Is 1:18, 2 Co 7.9-10); A Sua correção é parte essencial do amor. Não podemos confundir correção com rejeição.  “Filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele és reprovado; porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe. É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige? Mas, se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos”. (Hb 12:5-8); Deus é Pai perfeito. Repreende na medida correta e quando o faz nunca sustenta a motivação de nos condenar ou prejudicar. Portanto, não podemos ter medo dele mesmo  diante da correção.

Nossa tendência de se esconder de Deus

Como reagimos depois que caímos no pecado da pornografia ou da masturbação? Tentamos nos esconder do Pai? Genesis capítulo 3 fala sobre isso. Depois do pecado de Adão e Eva, eles não conseguiam se mostrar para Deus tinham vergonha e medo. Mesmo diante da insistência do Senhor, não respondiam suas perguntas de maneira sincera. Além de sempre culpar outros por seus feitos. Muitas vezes nossas orações são iguais. Criamos uma retórica decorada pra falar com nosso Pai e achamos que Ele esta sempre prestes a nos condenar e destruir. Deus sabe de tudo que já fizemos e nos ama mesmo assim. Ele quer nos levantar e purificar.

Mesmo tendo acesso ao perdão de Deus, não podemos usar isso como uma permissão para pecar. O temor do Senhor, compreendido da maneira certa, nos ensina a nos afastar do mal e a honrar a Deus com nossos corpos. Temer a Deus é respeitá-lo como Senhor e buscar obedecê-lo motivados pelo Seu amor por nós; Trilhando neste caminho temos libertação; A graça nos educa a não pecar.

Lidando com a tentação

Tentação sexual é uma constante na vida cristã. E, não se constitui pecado, antes é a “gestação” do pecado. Tiago 1:14-15 diz: “Mas as pessoas são tentadas quando são atraídas e enganadas pelos seus próprios maus desejos. Então esses desejos fazem com que o pecado nasça, e o pecado, quando já está maduro, produz a morte.” Temos que ter em mente que o próprio Jesus foi tentado e quem o levou ao deserto com este propósito foi o Espírito Santo (Mt 4.1). A tentação não é pecado. Então, não devo me condenar simplesmente pelo fato de estar passando por ela. Espere ser tentado e saiba com fugir. Saiba “abortar” o pecado.

Identifique as situações em que a tentação sexual se potencializa. Por vezes, o pecado sexual aparece como fonte de “alívio” para carências emocionais (solidão, frustração, ansiedade, raiva, tristeza, etc);

Clame a Deus no momento da tentação e creia que Ele não esta contra você. Encontre-o em meio às suas fraquezas (2 Co 12:10); Quando vemos em nós surgir a luta da tentação, infelizmente, a última coisa que pensamos é em orar. Erro fatal. A culpa antecipada pelo pecado que nem se consumou ainda nos envergonha. Enquanto isso a bíblia afirma que Jesus, o sumo sacerdote, se compadece de nossas fraquezas e está pronto para nos socorrer. Achegue-se, confiadamente, ao trono da graça de onde vem o poder para obedecer (Hb 4. 15-16).

É possível termos medidas radicais e preventivas quanto a fugir e a evitar “ambientes” de tentação sexual (Mt 5:27-30). Existem ambientes, hábitos, amizades que precisam ser abandonadas por você. Isso não é negociável. O que nossos olhos vêem, por onde nossos pés andam, com quem compartilhamos nosso tempo, por onde navegamos na internet irão influenciar nossa decisão de obedecer a Deus.

É necessário nos associarmos a alguém de confiança, com o qual prestaremos conta. Andar sozinho é aumentar o nosso risco de quedas. Abra-mão de sua reputação ou de suas mascaras e conte as suas lutas e quedas para alguém espiritualmente maduro.  “Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e façam oração uns pelos outros, para que vocês sejam curados. A oração de uma pessoa obediente a Deus tem muito poder.” (Tg 5.16).

A mente precisa passar por uma purificação, mediante a rejeição e substituição de pensamentos impuros por meio da oração e da Palavra de Deus; Este processo leva tempo, mas é a chave para transformação. “transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12.2).

Renda-se ao Senhor. Adore a Ele. Entregue tudo diante da Sua presença. Você não consegue vencer nada sozinho. Mas, a verdade é que Ele nunca te deixou sozinho, Seu amor é maior que as falhas e seu poder liberta-nos graciosamente.

 

Referências Bibliográficas

DAVIES, Bob. Vencendo a pornografia. Exodus Brasil.

DAVIES, Bob & RENTZEL, Lori. Restaurando a identidade. Ed. Mundo Cristão. São Paulo-SP. 2004.

LAASER, Mark. O pecado secreto. Ed. Luz e Vida. Curitiba-PR. 1996.

MEDINGER. Alan. Novos Caminhos. Regeneration Book. Londrina – PR. 2001.

GRZYBOWSKI, Carlos. Macho e fêmea os criou. Ed. Ultimato. Viçosa-MG. 1998.

GALLAGHER, Steve. Fora das profundezas do pecado sexual. Ed. Propósito Eterno. Brasília. 2005


David Riker é líder do Ministério Ser, pastor da Igreja Missionária da Amazônia (IBMA) e pertence ao Exodus Brasil. É teólogo pelo STBNA, formado em Arte-educação pela UFPA e graduando em Filosofia pela Uniasselvi. Marido da Brena Riker e pai da Nataly e do Pedro.

Entendendo a Homossexualidade

Considerações preliminares:

1. A homossexualidade, como qualquer outra inclinação para o pecado, resulta da queda, isto é, difere pouco das outras formas de pecado sexual. É uma expressão específica da confusão de identidade sexual. Os homossexuais podem sofrer de formas mais extremas dessa confusão, mas, mesmo assim, estamos lidando com diferenças de grau e não de natureza. Estou convicta de que não existe uma condição isolada, como se o homossexualismo fosse um pecado imutável, pior que qualquer outro – existem apenas pecadores com diferentes formas de fraquezas. Por isso, aqueles que adotam a vida homossexual talvez não gostem de ouvir isso, pois querem ver legitimado seu comportamento como condição ou estado especial, mas ainda assim natural. Assim, pessoas que estão na homossexualidade são homens e mulheres como todos os outros, todos pecadores como nós, lutando contra vulnerabilidades sexuais específicas ou simplesmente desistindo diante delas.

2. Apesar de toda inclinação para o pecado, ser, em parte inata, isto não constitui ‘desculpa’ para atos pecaminosos, pois todos compartilhamos a conseqüência do pecado de Adão e Eva. Como Davi, nós também somos homem decaído e nascemos em pecado, “em iniqüidade fui formado” (Salmo 51:5). O mesmo é verdadeiro para todos os homens e mulheres: mesmo nas condições em que poderíamos resistir, acabamos dando lugar ao pecado.Todavia, não podemos nos valer disto para vivermos imersos em escolhas erradas e na prática pecaminosa

Mas como a Igreja tem visto a questão da homossexualidade?

Segundo Esly Carvalho, importante psicóloga cristã brasileira que em boa medida inspira e fundamenta a escrita deste artigo, a Igreja pode ver a homossexualidade por meio de três perspectivas:

  1. Homossexualidade como ‘possessão’ demoníaca;
  2. Homossexualidade como conduta apreendida;
  3. Homossexualidade como um estilo de vida alternativo.

Vejamos cada uma delas:

1.1 Homossexualidade como ‘possessão’ demoníaca;

1. Ao encararmos a homossexualidade como algo somente espiritual, como opressão demoníaca, devemos considerar se:

a) Cristãos podem ou não “ter” demônios?

b) Somente orar resolve?

Comentário 1:

Quando concebemos a ‘possessão’ demoníaca como a única causa da homossexualidade, acabamos por nos equiparar à maioria absoluta das igrejas. Estas costumam tratar a homossexualidade como algo puramente espiritual, que seria “resolvida” com meios de libertação que estejam, pois, na esfera espiritual.

Contudo, ao considerarmos esta perspectiva, adentramos em discussões bem mais profundas do que a própria questão homossexual inserida neste aspecto. Temos de considerar como as igrejas lidam com assuntos como estes, pois: existem igrejas que não acreditam que existam demônios, outras sim; outros crêem que demônios não podem estar em cristãos, outros já crêem, e assim por diante.

Adotando uma postura imparcial, diremos apenas, sem muitas delongas, como se definem estes dois pontos de vista:

A primeira discussão em que se assentam algumas igrejas, diz respeito ao fato de que cristão não pode ter demônio, porque dentro do corpo de alguém que aceitou à Cristo, não pode haver comunhão entre luz e trevas.

A outra abordagem diz respeito ao fato de a pessoa já possuir um demônio antes de aceitar Jesus, e esta entidade estabeleceria uma relação de inquilinato no corpo de tal pessoa. Assim, quando a pessoa aceita Jesus “o título” da casa passa a ser de Jesus e não mais de satanás, ele perde o direito legal da propriedade. Somos transportados do reino de Satanás para o reino do Senhor. Mas nesta passada, segundo esta abordagem, o simples fato de a pessoa aceitar Jesus não é indicio de que esteja liberta, é preciso mandar ir embora os inquilinos que estão, por assim de dizer em alguns “cômodos da casa”. Sendo assim, dentro desta compreensão um destes demônios poderia ser o da homossexualidade, do lesbianismo, da pornografia, e tantos que existem. Eis as duas abordagens.

É comum, por vezes, pessoas que lutavam com a homossexualidade sofrerem uma série de manifestações demoníacas no momento em que entregam-se à Cristo, e cremos que como cristãos aptos, podemos com muita sabedoria, lidar com estas questões, a saber que este também foi o ministério de Jesus e nós já fomos comissionados por Ele para tal. Todavia, acreditamos que devemos lidar com fatos mais profundos do que simplesmente “expulsar” demônios; devemos fugir de atitudes simplistas e exageradas e partirmos em busca de soluções mais eficazes que o próprio Deus tem para nos ensinar no que diz respeito à libertação de homens e mulheres com lutas homossexuais. Vejamos, pois as outras perspectivas pelas quais a Igreja pode conceber a homossexualidade.

 

2. Homossexualidade como uma questão de conduta apreendida (raízes)

 

Algumas premissas:

A distinção entre sexo e gênero.

A homossexualidade não é inata, ou seja, não nasce com a pessoa.

• A Bíblia trata a homossexualidade essencialmente como um comportamento pecaminoso, e não como uma identidade.

• I Cor.

 

2.1 – As raízes (e o desenvolvimento) do homossexualismo:

 

Esta segunda postura trata a homossexualidade como uma desordem de conduta, trabalhando a idéia de que o homossexualismo é apreendido; é uma dificuldade de comportamento; disfunção/imaturidade emocional.

Ainda segundo E. Carvalho,  esta teoria é bastante confiável. Dentro desta perspectiva a pessoa se torna homossexual, por uma série de causas psicológicas e emocionais por influência do seu meio ambiente, incluindo obviamente a sua família. Esta abordagem baseia-se, principalmente no que chamamos de exposição das raízes, pois as raízes de uma árvore embora superficiais, podem espalhar-se por centenas de metros em todas as direções, entretecendo-se com o sistema de raízes de outros gigantes. Exatamente como o sistema de raízes presentes por baixo das árvores, o homossexualismo ou qualquer que seja a disfunção emocional, apresenta raízes, isto é, muitas coisas por baixo da superfície das vidas de pessoas atreladas ao homossexualismo, alimentam a identidade gay e mantendo-a firme no lugar, exatamente como as árvores. Logo, se descobrirmos as raízes que sustentam a homossexualidade, podemos ter sucesso em encontrar o caminho de saída deste comportamento.

É bom que saibamos que não analisamos as raízes do desenvolvimento homossexual para dragar a sujeira de nossa infância ou jogar a culpa sobre nossos pais. Fazemo-lo porque entender o desenvolvimento do homossexual aponta o caminho da verdadeira solução. E conforme estas raízes são identificadas e tratadas, através da orientação de Deus e no seu tempo, a homossexualidade se torna cada vez menos firmemente estabelecida. Mesmo a identidade lésbica ou homossexual, tão abrangente e tão enraizada, vai submeter-se à cura paciente, persistente e gentil de Deus. Atentemos para algumas raízes:

1ª raiz: Antecedentes familiares: O processo de identificação com o genitor do mesmo sexo

Comentário 3:

Obviamente todos nós nascemos de um corpo de uma mulher. Tanto os homens como as mulheres, ao nascerem do corpo de uma mulher, precisam desenvolver primeiro um processo de identificação com a figura materna, figura feminina, já que é a mãe quem costuma cuidar, trocar as fraldas; é ela quem está mais perto do bebê principalmente no primeiro ano de vida. Mas os homens tem uma tarefa emocional diferente das mulheres Então o menino, ao completar 2 ou 3 anos de idade, precisa começar um processo de des-identificação com a mãe e iniciar uma identificação com o pai ou com um representante do pai. A saber que, quando nos referimos a estes papéis de mãe e pai, estamos falando de uma pessoa deste gênero encarregada de cuidar desta pessoa: tio, tia, avô, irmã, mãe adotiva, etc. Sendo assim, o menino tem de dar este “salto de fé”, tem de soltar esta comodidade de sua mãe e começar a procurar essa figura masculina a qual ele tem de se identificar. Nessa procura, quando o pai é um pai presente, é amoroso, é um pai que confirma este menino como homem, este processo se dá sem maiores dificuldades. Mário Bergner[1], explica que o desenvolvimento da homossexualidade em uma pessoa está relacionado ao que ele chama de “amor em desordem”. Tal como a maioria dos psicólogos e especialistas, acredita-se que no caso da homossexualidade, a desordem no amor manifesta-se desde a primeira infância. Toda criança precisa identificar-se com as formas de amor estabelecidas por Deus. Este primeiro amor, o amor ágape, é também chamado de amor fundamental, natural ou amor familiar. É aquele que une as pessoas em algum grupo natural C.S.Lewis considera este amor (ágape) muito importante. Ele o chama de afeição e diz ao seu respeito: “a imagem que deve ser o nosso ponto de partida é a da mãe alimentando sue bebê, da cadela ou gata deitada em uma cesta e rodeada de seus filhotinhos”[2]

O amor ágape possui expressões masculinas e femininas e nosso contato com estas diferentes formas variam durante a infância. Quando crianças, a principio provamos o sabor do ágape em sua manifestação feminina por intermédio de um toque, um seio repleto de comida. Na simbiose entre mãe e filho, o bebê nem sequer suspeita que é um ser desligado da mãe. Tudo o que ele conhece são sentimentos de amor e nutrição, resultantes do fato de ele ter feito parte do corpo dela por alguns meses. Um cordão invisível, persiste, muito tempo depois do cordão umbilical ter sido cortado.O bebê conhece um senso de ser e individualidade no amor da mãe. Nele, a história do amor de bebê recebe suas primeiras influências do feminino e da feminilidade, bem como do ser. Contudo com o intuito de encontrar um senso seguro de individualidade longe da mãe, a criança necessita do apoio afetuoso do pai.O Dr. Daniel Trobisch diz que a mãe representa um ciclo, e o pai, aquele a quem cabe nos resgatar desse ciclo”. Geralmente quando as crianças começam a engatinhar, elas o fazem em direção ao pai, afastando-se da mãe. Graças ao seu apoio afetuoso, o pai desempenha importante papel de ajudar o filho a desvicular sua identidade pessoal da identidade materna. O amor do pai, no caso do filho, lhe permitirá identificar-se positivamente com as características masculinas e de homem que vê nesse pai. O que é essencial para o desenvolvimento de “uma identidade de função do gênero” saudável – o papel que se desempenha na vida como homem ou mulher. Tanto para os filhos, quanto para as filhas, o pai é uma representação de tudo o que se pode associar ao masculino e ao homem no mundo, da mesma maneira que a mãe é tudo é uma representação de tudo que se pode associar ao feminino e a mulher no mundo. É importante que os filhos identifiquem-se positivamente com os papéis desempenhados especificamente pelo seu gênero, percebidos no genitor do mesmo sexo que eles ou elas.Isso para que adquiram uma identidade positiva da função de seu gênero. Por outro lado, a criança deve vivenciar positivamente as diferenças entre os gêneros com o genitor do sexo oposto ao dela. Só assim aprende a estabelecer uma relação complementar com representantes do sexo oposto.

Então o que acontece quando este processo não se dá de uma forma normal e tranqüila? Muitas coisas podem acontecer que vão interrompendo este processo de descoberta e identificação com o masculino. Este menino pode procurar esta figura masculina para se identificar e não encontrar. Quem sabe este menino more com a mãe, 5 tias e a avó, não tendo acesso a esta figura masculina, consequentemente não terá figura paterna para começar o processo de desvinculação com o mesmo. Então sua única identificação será com o genitor do sexo oposto, o que lhe acarreta confusões a respeito de quem ele é. Talvez seja por isto que a maior parte dos homens que estão na homossexualidade apresentem tanta devoção pela mãe, pois foi o único modelo de amor que conheceu e que até hoje não conseguiu separar-se dela. Também é muito comum situações de abandono, aonde o pai não viveu com sua mãe, a abandonou. Um extremo é o abandono, a ausência, uma falta de modelo. O outro extremo é um pai que mesmo presente é ausente, sendo um péssimo modelo : drogado, que abusa da família, um pai que abusa verbalmente, psicologicamente, sexualmente do próprio filho, que e alcoólatra., que bate, que grita etc. Daí a criança reflete mesmo sem percepção imediata: “Se ser homem é ser como meu pai, então não quero ser homem! Esta conclusão e decisão é relativamente inconsciente, mas fica impressa na criança e como a natureza odeia o vazio, se este menino não vai se tornar homem, como sugere o contato com o seu pai, o que sobra? A figura feminina, a figura da mãe. É por isso que escutamos bastante em aconselhamento de homossexuais, a frase: “Desde que nasci, que me entendo por gente eu sou assim, eu sinto assim”. E é verdade! Isto não significa que ele necessariamente tenha nascido assim, mas a memória que este homem possui da primeira infância expressa este quadro de disfunção. E como estas são as únicas lembranças que ele possui, entende é claro, que desde a tenra idade já era homossexual, devido a sua perene dificuldade de adequar-se ao ser masculino.

“Quando o homem deixa de receber a forma masculina de ágape na infância, o déficit é anotado em sua identificação de gênero. Talvez então ele tente compensá-lo estabelecendo um vínculo no qual se apegar, e do qual se torne dependente com um outro homem, ou por intermédio de uma expressão do Eros (amor dos romances, o amor sexual), resultando na neurose homossexual. Se ao homem faltar o filéo (amor da amizade, dos relacionamentos entre amigos, companheirismo), ele pode criar expectativas nada razoáveis e depositá-las sobre os homens. A mulher que não encontrou um senso seguro de ser no amor materno pode transferir essa necessidade para os relacionamentos com outras mulheres,esperando delas algo que simplesmente não podem ou que não deveriam lhe dar. É possível compreender certas expressões de homossexualidade, tanto do homem quanto na mulher como necessidades de afeto relacionadas ao mesmo sexo que não satisfeitas,e que foram erotizadas. Em casos assim, o eros foi erroneamente incluído no enredo da identificação do gênero, e ao mesmo tempo que ficou de fora do caráter complementar do gênero. Considerando que se sente falta do ágape, a tentativa de encontrar amor no eros jamais acabará com esta deficiência. A pessoa “está procurando amor no lugar errado” literalmente. Determinadas expressões de homossexualidade resultam em fuga impulsionada pelo medo do sexo oposto,e um apego ao mesmo sexo. Ao evitar membros do sexo oposto, o homossexual não precisa mais lidar com seu senso de inadequação sexual em relação à eles.[3]

(Este material é fruto de pesquisa sobre a temática da homossexualidade e de como nós, cristãos, podemos lidar com isso. Destacamos a grande contribuição da psicóloga e autora cristã Esly Carvalho, cuja produção nos concede amplo embasamento para esse texto.)

Brena Riker é líder do Ministério Ser e pastora da Igreja Batista Missionária da Amazônia (IBMA) e pertence ao Exodus Brasil. Formada em Letras pela UFPA e em Fundamentos em Aconselhamento na Jocum Chile. Casada com David Riker e mãe da Nataly e do Pedro.

Solteirice, abstinência sexual, casamento… Não andeis ansiosos

“Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer” (Lc 12.22), nem sobre quando, com quem e se haveis de casar.

Certo que essa não é uma sentença facilmente praticável, a vejo como um grande desafio. Como caminho sinuoso e confrontador.

A maioria dos cristãos querem casar.

A maioria dos solteiros cristãos quer casar. Desejo legítimo e coerente. Contudo, muitos se veem cheios de ansiedade inquietante, enquanto isso não ocorre.  Andam citando fervorosamente o salmo 40, projetando o matrimônio:

Esperei confiantemente pelo SENHOR; ele (…) me ouviu quando clamei por socorro. Tirou-me de um poço de perdição, de um tremedal de lama”.

Mas… Quem disse que estar solteiro é viver enlameando e em perdição?

É aí que desvendamos a visão macabra que temos de um dos períodos mais construtivos da vida. Ideia que reforça nossa ansiedade.

Arrocho evangélico casamenteiro

Somado a isso temos o arrocho evangélico “casamenteiro”, na qual, o solteiro está no “deserto” e encontrará sua “metade” por meio de inúmeras tentativas amorosas, regadas às ameaças, quase proféticas, tipo: “Vai ficar pra titia.”  A pressão estimula a ansiedade, que por sua vez, denuncia uma imaturidade generalizada.

Esses dias li um texto bastante pertinente da colunista Marta Medeiros que dizia: “A maturidade traz ganhos reais. A ansiedade diminui, a teatralidade também: já não vemos sentido em agradar a todos.” *

É isso mesmo. No teatro forjado pelos esquemas e na cronologia de terceiros nos contorcemos em malabarismos relacionais – por vezes sexuais – para estarmos dentro dos padrões.

Quando, mesmo assim o casamento tarda, vivemos pre-ocupados” ou “pre-habitados” pelo futuro, e enjaulados nele, nos furtamos do único patrimônio que nos foi divinamente emprestado, a saber, o presente.

No fundo, a ansiedade é como tentar, arrogante e ineficazmente, roubar o inviolável. Adquirir senhorio do que só pertence ao Eterno: o amanhã.

Logo, basta-nos aceitar que, diante do porvir, somos ignorantes.

Vós não sabeis o que sucederá amanhã (…) Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa”. (Tg 4.14).

Tais palavras são destruidoras. Deixam em ruinas nossa soberba. E, nos humilha ao revelar que não temos controle sobre o que vamos fazer depois que os ponteiros do relógio andarem. E, mais:

Ao invés disso, devíeis dizer: se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo” (Tg 4.15).

Se você anseia diminuir a ansiedade com relação ao casamento terá que admitir em oração alguns fatos: tudo que tenho é o hoje. Tudo que ignoro se chama futuro. Tudo que quero é o que o “Senhor quiser”. E, pra tudo que queres, há um tempo e um modo (Ec 8.6).

Já que o hoje, acima citado, atende pelo nome de solteirice e abstinência sexual, pensemos sobre elas.

A solidão e as tentações sexuais, realmente, tendem a aumentar a escala da inquietude. Criando a impressão de que quando nos casarmos seremos catapultados para uma dimensão mágica plena de companhia infalível. E, de uma vida sexual “messiânica”, que nos salvará de todas as paixões lascivas do mundo, afinal, com sexo lícito e regular “todos nossos problemas acabarão”.

Essa expectativa “tabajara” é mentirosa (desculpe… Não consegui evitar a piada).

Natã repreendendo Davi.

O rei Davi não deixou de pecar sexualmente, apesar de ser casado com algumas mulheres. E, José do Egito, mesmo na seca sexual, fugiu de uma senhora bem provocadora.

Adão pecou no jardim (lugar tranquilo) comendo a fruta. Daniel decidiu não se contaminar na babilônia (território pagão) comendo legumes.

Isso nos mostra que o ambiente no qual vivemos e nosso estado civil, apesar de nos influenciarem, são apenas duas das diversas variáveis inseridas na complexa decisão diária de permanecermos sexualmente puros.

Colocando em termos claros: se um solteiro não está disposto a arrepender-se e aprender com o Espírito Santo como fugir da imoralidade, não estará interessado nisso quando casar. E, as tentações com relação à pornografia, masturbação e relações sexuais indevidas seguiram presentes.

A pornografia não é uma opção.

Viver com estas expectativas irreais engrossa ainda mais o rio da ansiedade. E, isso, por sua vez, enfraquece a busca pela pureza sexual do solteiro. O erro está em colocar em outro ser humano e nas circunstâncias o senso de plenitude.

Para acalmar os corações ansiosos e, simultaneamente, prepará-los para as dificuldades do mundo dos não casados, gostaria de citar o conceito apresentado por Brennan Manning, no qual, a confiança em Deus é vista como a somatória entre fé e esperança.  A fé na pessoa de Cristo e a esperança na sua promessa. Jesus nos garantiu a “promessa de sua presença (‘Estou convosco todos os dias…’), e a presença de sua promessa (‘Cristo em você agora e sua esperança da glória ao longo da vida’)”.**

Isso significa que não seremos poupados das tentações sexuais e a solidão ocasional, mas Cristo está ali sempre, porque sua presença foi prometida.

Também quer dizer que a fidelidade de Cristo poderá ser comtemplada em qualquer instante e nos saciará. Como a glória que enche o templo e o “satisfaz”. Ele é a promessa completa de Deus, sempre acessível a nós. Uma promessa já realizada que nos habita e nos faz confiar.

E, só a confiança destrói a ansiedade.

Portanto, por meio da confiança e da satisfação em Cristo, é possível deixar andar ansioso com relação à quem haveremos de casar ou transar, pois, no fundo, o contrário disso seria um “anti-andar”, uma paralisia.

É melhor mover-se confiante. Pleno. Cheio.

Como Jesus que, apesar de solteiro, sorriu, dançou, protestou, trabalhou, estudou, produziu, serviu, emocionou, foi emocionado, investiu, discipulou, amou, foi amado, e viveu no presente livre do futuro.

*MEDEIROS. Martha. A graça da Coisa. Ed. LePM. Porto Alegre – RS. 2013.

**MANNING. Brennan. Confiança cega. Ed Mundo Cristão. São Paulo- SP. 2009.

Brena Riker é líder do Ministério Ser e pastora da Igreja Batista Missionária da Amazônia (IBMA) e pertence ao Exodus Brasil. Formada em Letras pela UFPA e em Fundamentos em Aconselhamento na Jocum Chile. Casada com David Riker e mãe da Nataly e do Pedro.

Como Deus planejou você

Gosto de comparar a queda do homem com a queda de um avião. Imaginemos uma viagem perfeita, todos seguros seguindo para seu destino. Então, o comandante descuida-se e opera uma manobra errada. O avião cai.

Imagine o avião caindo no mar, e pessoas tendo que sobreviver a sua própria sorte. Alguns podem conseguir nadar, outros simplesmente morrem afogados antes de chegar a terra. Alguns podem ser lançados contra rochas e ferir-se gravemente. Como manter-se vivo?  Alguém se surpreenderia se soubesse que, chegando a uma ilha, come-se qualquer coisa, veste-se de qualquer jeito, faz-se qualquer coisa para sobreviver? Até que ponto os hábitos civilizados permanecem em um caso desses?

Foto do Fairchild F-227, da Força Aérea Uruguaia, que caiu em 1972

Temos o exemplo semelhante e real do avião Fairchild F-227, da Força Aérea Uruguaia, que levava um time de rugby acompanhado de familiares e amigos para um amistoso no Chile. Este avião caiu nas profundezas da Cordilheira dos Andes, em outubro de 1972.

Os sobreviventes, a maioria jovem entre 19 e 21 anos com ferimentos graves tiveram que suportar temperaturas de até 30ºC abaixo de zero, avalanches mortais, fome, sede, espancar-se mutuamente para manter algum calor no corpo, assistir a morte de familiares e companheiros seus e ouvir a notícia, por um rádio que ainda funcionava, que as buscas por eles haviam sido canceladas. Finalmente, para se manterem vivos, passaram a comer carne humana de passageiros mortos.

O homem sem Deus é como um sobrevivente de um terrível desastre. Sem Deus não vivemos, tudo o que conseguimos é sobreviver. Algumas pessoas podem chegar bem à praia e rapidamente serem localizadas. Talvez não haja muitas feridas para se tratar e a reabilitação possa ser muito tranquila.

Outros que foram muito feridos podem estar sem consciência. Por isso, ao serem resgatados, precisarão de uma UTI, de um longo tratamento, precisarão curar traumas emocionais para retomarem a vida normal.

Tentando sobreviver sem Deus, pessoas estão buscando as drogas, a prostituição, o legalismo, a justiça própria, todos os tipos de religiões, o dinheiro, o poder, a homossexualidade, relações baseadas em dependência emocional. Isto é tudo o que conhecem, tudo o que lhes foi oferecido. No entanto, por mais que se envolvam com estas coisas, nunca estarão satisfeitas simplesmente porque estas coisas não foram criadas para nos satisfazer; mas sim para nos tornar presos e dependentes de porções cada vez maiores. Estes ingredientes do mundo não conseguem preencher nossas vidas porque, na verdade, fomos feitos para depender de nossa comunhão com Deus.  Só um retorno a esta comunhão, através de Cristo, nos completa.

Antes de conhecer verdadeiramente o amor de Jesus, eu gostava de uma música muito conhecida que diz “qualquer maneira de amar vale a pena”. Eu concordava com essa afirmação. Mas, depois que conheci a Graça de Cristo e me senti amada pelo amor de Deus, tornei-me exigente com a forma de amar. Acostumamo-nos rápido com aquilo que é bom. Após conhecer o amor de Deus não dá para dizer que qualquer tipo de amor vale à pena, porque não vale. Hoje eu só aceito o melhor de Deus para minha vida.

Não obtemos esse amor de Deus porque fizemos algo para merecê-lo. Ele nos ama porque somos criaturas suas. Isto é Graça. Não há nada que possamos fazer para Deus nos amar mais e não há nada que possamos fazer pra Ele nos amar menos. Ele nos deseja perto dEle. Por isso nos mandou o resgate: Jesus.

 

O Caminho Para Vitória

 

E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente.

I Coríntios 12:31b

 

É difícil, quando pensamos em pessoas que vivenciam a homossexualidade, não ter nossa atenção voltada para os pecados sexuais. Contudo, na maioria das vezes, não são as coisas visíveis que nos fazem tropeçar, mas as invisíveis; as pequenas pedrinhas que podem passar despercebidas.

Salomão, em outras palavras, fala sobre isso no livro dos Cânticos: “Apanhai-me as raposas, as raposinhas, que devastam os vinhedos, porque as nossas vinhas estão em flor” (Ct 2:15).

O que podem ser essas pedrinhas, essas raposinhas que nos impedem de permanecer no amor? Vemos muitas pessoas que começam muito bem seu processo de restauração, no entanto, embaraçam-se por problemas que não são pecados sexuais, mas estão ligados à falta de amor ou ao amor que ainda não foi aperfeiçoado.

O amor pode cancelar obstáculos e nos levar mais rapidamente à nossa restauração.

Livrando-se da soberba

A soberba ou orgulho foi o sentimento que, juntamente com a rebeldia, trouxe a condenação a Satanás (I Tm 3:6). A Palavra nos diz que a soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda (Pv 16: 18). De fato, a soberba já derrubou reis (Dn 5:20).

A pessoa orgulhosa pensa de si mesma ou age em relação a si mesma além do que convém sempre se colocando como mais importante que os outros. Ela possui muita dificuldade em andar em amor.

No entanto, é paradoxal que o orgulho possa encobrir, na verdade, um grande complexo de inferioridade e baixa autoestima. Tenta-se construir um muro de proteção com o orgulho. Idealizamos uma pessoa maravilhosa, bem resolvida, que se veste muitíssimo bem, que está sempre alegre – vem daí a expressão gay – e que aparenta uma situação financeira muito acima da realidade, justamente para encobrir a pessoa que verdadeiramente crê que se é.

            A pessoa orgulhosa não se permite conhecer de verdade, não admite seus erros, suas carências, suas limitações. Sua visão se torna tão distorcida que também não consegue reconhecer suas qualidades reais e seu valor. Toda esta confusão de identidade pode também gerar sentimentos de inveja e cobiça.

Jesus não se deixou tocar pela soberba, por isso Ele é o nosso grande exemplo de humildade. Ele possuía comunhão com Deus, sabendo muito bem quem era, e isso era muito mais importante que ter ou parecer. Só pode abrir mão de sua glória quem sabe que a possui.

Satanás, por exemplo, ludibriou Eva dizendo que se ela comesse do fruto se tornaria como Deus (Gn 3:5), mas a questão é que o homem e a mulher já eram à imagem e semelhança de Deus, um pouco só menores que Deus, coroados de glória e honra, detentores de domínio sobre todas as coisas (Sl 8:4-6). Quando duvidaram de Deus, perderam sua referência e passaram a desconhecer seu potencial.

Quando nos voltamos para Deus através da cruz de Cristo, recebemos o amor de Deus, redescobrimos quem somos, entendemos o nosso verdadeiro valor e podemos nos libertar de querer ser além do que somos. Deus resiste aos soberbos, mas os humildes podem receber a sua Graça (I Pe 5:5).

Paulo era um fariseu e possuiu muito status na sociedade em sua época, contudo ele só entendeu quem realmente era ao encontrar o amor de Deus e sabia que sem amor nada seria.

Quem anda na realidade desse amor não se ufana, não se ensoberbece (I Co 13:2, 4).

Paulo sabia que seu valor estava no fato de ser amado por Deus e, por viver constantemente neste amor, ele declarou:

“Longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo.

Pois nem a circuncisão é coisa alguma, nem a incircuncisão, mas o ser nova criatura.

E, a todos quantos andarem em conformidade com esta regra, paz e misericórdia sejam sobre eles e sobre o Israel de Deus” (Gl 6: 14-16).     

 

 Liberando perdão, vencendo o ressentimento

Ressentir significa o ato ou efeito de sentir de novo a mágoa ou ofensa.

Não somos responsáveis por mágoas que outras pessoas possam nos causar, ainda que se diga que de alguma forma provocamos a ofensa, a decisão de ofender, revidar ou perdoar é da pessoa que o faz.

Porém, ressentimento, o ato de sentir novamente, continuar sentindo a mágoa é responsabilidade nossa. Nós é que escolhemos perdoar ou ressentir.

Não estou querendo dizer que é algo fácil. Nem desrespeitando a dor de ninguém, mas quero lembrar que é possível abandonar este sentimento, pois existe a Graça e mais que possível, é necessário.

A Palavra nos recomenda que “não haja alguma raiz de amargura que, brotando nos perturbe e, por meio dela, muitos sejam contaminados” (Hb 12:15).

Conheço várias pessoas que se esforçam para vencer o pecado da prática da homossexualidade; às vezes passam períodos de crescimento, sem nenhuma queda, e, de repente, começam a sentir muita dificuldade novamente. Não me refiro a uma dificuldade normal que faz parte do processo, refiro-me a retrocesso.  Questões relacionadas à homossexualidade que já haviam sido superadas brotam novamente porque a raiz não foi arrancada.

Pessoas que vivenciam a homossexualidade podem ter sido machucadas por outras pessoas ou por circunstâncias. Rejeição, abuso, injustiça, ofensas, tudo isso encontramos como raízes da homossexualidade, e, por isso mesmo, se não arrancarmos essas raízes, não será possível a tão sonhada restauração da sexualidade.

É preciso arrancar fora toda mágoa, todo ressentimento e lançá-los na cruz de Cristo.

Nossa luta não é contra pessoas de carne e sangue, nossa luta é contra principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes (Ef 6:12). Quando uma pessoa nos fere, não devemos nos voltar contra esta pessoa, mas contra os espíritos malignos que a estão influenciando.

Podemos pensar que as pessoas que nos feriram não merecem nosso perdão, que se deixam ser usadas por Satanás, às vezes nem demonstram estar arrependidas. Realmente, elas podem não merecer mesmo, da mesma forma que nós não merecíamos o perdão de Deus. A palavra perdoar surgiu a partir de duas outras, o verbo doar, que significar dar – diferente de trocar – e per, que significa passar de, ir além. Perdoar, portanto, significa dar além do que se daria normalmente, dar além do que alguém merece: Graça!

Jesus, para ensinar seus discípulos a perdoar, contou a parábola de um homem que foi perdoado de uma grande dívida ( Mt 18:23-35) , contudo não quis perdoar uma pequena dívida. Aquele homem recebeu um grande livramento, poderia perfeitamente abrir mão do que lhe deviam também. Porém, sua incapacidade de perdão foi tão grande que acabou ficando sem nada. Não recebeu o que lhe deviam porque seu devedor não tinha como pagar – muitas vezes o que nos fizeram e o que fizemos também não tem conserto, não tem volta – e perdeu também o grande dom que recebera: o perdão por toda sua dívida.

Somos capazes de perdoar, dar além porque recebemos perdão, recebemos algo além do que Deus tinha obrigação de nos dar, aliás, Ele não tinha obrigação nenhuma conosco após a queda. Esse perdão, porém, juntamente com o amor e a Graça, foi derramado em nós. Temos sobra, temos além para dar.

Pessoas passam a vida inteira em murmuração porque foram rejeitadas, foram abusadas, nunca foram amadas de verdade. Mas Jesus nos ama e nos amou desde sempre, Ele deu sua vida enquanto ainda éramos seus inimigos (Rm 5:8). Se você já confessou a Jesus como seu salvador, você recebeu esse amor de verdade e não tem mais o direito de murmurar desta maneira. Considere o amor de Deus, o sacrifício de Jesus que cobriu todo o escrito de dívida sua e também de quem lhe ofendeu.

Satanás deseja que não aprendamos a perdoar para manter vantagem sobre nós (II Co 2:10-11), ele sabe que não existe restauração sem perdão. É necessário, portanto, perdoar aos outros e perdoar a si mesmo. Recebemos Graça para isso.

Talvez você tenha entendido toda essa teoria e concorde com ela, mas não consiga ainda colocá-la em prática. Isto é natural, mas saia desta enganação de que você não consegue, comece a exercitar, ore, seja sincero com Deus, peça a ajuda dEle. Peça que o Espírito Santo lhe dê a Graça de ter essa revelação em seu espírito. É pela fé. Estude o assunto. Medite nessa Palavra, declare versículos sobre perdão, envolva fé nisso. Ainda que você não sinta e não veja mudanças ou resultados. Comece a treinar, declare o perdão e quando você se der conta perceberá que aprendeu a perdoar.

Rejeitando as falsificações

Quando compreendemos o verdadeiro amor, tudo que é falso amor em nossas vidas é desmascarado. O amor nos protege da dependência emocional.

Pessoas que vivenciam a homossexualidade tendem a viver no extremo da dependência emocional e é comum a dependência emocional tornar-se mais difícil de ser vencida do que o próprio vício sexual, especialmente entre mulheres.

Lori Rentzel* define dependência emocional como a condição em que a presença e o carinho constantes de outra pessoa são considerados necessários para sua segurança pessoal; quando seu valor, sua paz de espírito, estabilidade interior e felicidade estão ancorados em uma pessoa e na reação dessa pessoa para com você.

A dependência emocional, embora seja muito confundida com amor, destoa do amor ágape, o amor do tipo de Deus. É, na verdade, um tipo de idolatria, por isso é pecado.

 Amor Ágape  Dependência emocional
É derramado pelo Espírito Santo em nossos corações Surge a partir de carências emocionais não tratadas
É paciente e benigno É extremamente impaciente e pode prejudicar as pessoas envolvidas
Não arde em ciúmes Pode chegar a um ciúme extremo, não admitindo que o alvo de sua dependência tenha outros amigos, frequente lugares ou participe de atividades sem a sua presença
Não se ufana, não se ensoberbece Preocupa-se com aparências e necessita ostentar a todos que há uma intimidade e familiaridade, necessita marcar território
Não se conduz inconvenientemente  Não reconhece limites, podendo deixar terceiros constrangidos em sua presença.
Não procura seus próprios interesses  Necessita de recompensas e está sempre esperando por elas, caso não aconteça pode cobrá-las.Pode fantasiar e desejar situações românticas ou sexuais com a outra pessoa
Não se exaspera (irrita) Irrita-se com facilidade
Não se ressente do mal Magoa-se com facilidade e guarda uma lista de erros da outra pessoa
Não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade Não se preocupa se outras pessoas estão sendo prejudicadas por causa de sua dependência, tem forte tendência à manipulação, não consegue enxergar a si mesmo, a outras pessoas e circunstâncias de forma realista.
Tudo sofre É extremamente sensível, pode passar do carinho à agressividade em questões de segundos se contrariado.
Tudo crê É desconfiado
Tudo espera É imediatista
Tudo suporta Não aceita ser contrariado, o que pode levar a pessoa a cometer suicídio ou mesmo assassinato.

A dependência emocional pode acontecer com qualquer pessoa, em vários níveis. Em um quadro de dependência emocional, não colocamos nossa expectativa no Senhor e nas suas promessas, mas no comportamento de outras pessoas em relação a nós.

Além de darmos o lugar que deve pertencer somente a Deus para outra pessoa, que é o pecado da idolatria, a dependência emocional gera fracasso e frustração; pois só o Senhor é capaz de suprir inteiramente as nossas necessidades.

Precisamos reconhecer se andamos em dependência emocional e pedir que o Espírito Santo nos auxilie, crendo na Graça para que possamos andar no verdadeiro amor.

 

Andando como Ele andou

Andar em amor é o mandamento da Nova Aliança. Jesus, ao morrer na cruz, cumpriu toda a lei, substituindo a Antiga Aliança, baseada na lei de Moisés, por uma Nova Aliança, um novo pacto no seu sangue.

Todos os mandamentos da Antiga Aliança foram substituídos por um só novo mandamento:

“Novo mandamento vos dou: que vos amei uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros” (Jo 13:34).

Muitas pessoas realmente não se amam, não se perdoam, não possuem nenhuma autoestima, destroem a si mesmas mergulhando no pecado e levam outras pessoas consigo. Assim, é correto pensar que, se estas pessoas amarem ao próximo da forma como elas se amam, não será um bom sentimento de ser vivenciado. Muitas pessoas estão amando ao próximo da mesma maneira que se amam. No entanto, o que Jesus diz nesse texto é que devemos nos amar como Ele nos amou, da forma perfeita. Podemos ir além de amar ao próximo como a nós mesmo, podemos amar como Ele nos amou e continua a nos amar. Ele abriu mão de sua posição, de seu prazer, sacrificando-se por nós.

Devemos olhar o outro com os olhos de Deus

Fico muito triste quando vejo pessoas que conhecem a verdade se envolvendo com pessoas que vivenciam homossexualidade e não têm a mesma revelação.

Não falo de pessoas que estão tentando resistir durante o processo, são assediadas e cedem. Isso pode acontecer durante o processo de restauração.

Refiro-me ao pecado premeditado. Pessoas que sabem o que estão fazendo, que entram no erro contando que serão perdoadas. Têm oportunidade, mas não pedem socorro, não desejam a Graça para resistir. Brincam com os sentimentos e com a salvação do outro.

“Todo aquele que é nascido de Deus, não vive na prática do pecado; pois o que permanece nEle é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus” (I Jo 3:9).

O verdadeiro amor também impõe limites, por isso o Senhor corrige o filho a quem ama (Hb 12:6).

Não é nosso papel lançar condenação, mas precisamos refletir sobre nossas condutas à luz da Palavra, precisamos crescer.

Amadurecendo pelo amor

O capítulo 13 da primeira carta aos Coríntios é conhecido como A suprema excelência do amor. Nesse texto, Paulo escreveu que, quando ele era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; mas, logo que chegou a ser homem, desistiu das coisas próprias de menino (I Co 13:11).

O amor nos conduz ao amadurecimento

Pois, o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram.

E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. Assim que, nós daqui em diante, ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos desse modo.

E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. (II Co 5:14-17)

Nossa transformação começa sempre com o amor de Deus em nós.

Quando andamos em amor, deixamos de julgar os outros e passamos a julgar a nós mesmos. “Porque se julgamos a nós mesmos, não seremos julgados, nem necessitaremos ser disciplinados pelo Senhor” (I Co 11:31-32).

Saúde divina, longevidade e prosperidade estão diretamente ligadas ao andar em amor. Quando deixamos este caminho, abrimos portas para que nossa fé deixe de funcionar, pois a fé atua pelo amor (Gl 5:6).

Consideramos que a homossexualidade é uma orientação adquirida, não uma opção. Cremos que a pessoa que vivencia esta questão foi de alguma forma conduzida por circunstâncias várias, mas é chegado o tempo de não sermos mais conduzidos pelas circunstâncias, mas assumirmos o controle das nossas vidas.

A nossa fé pode mudar as circunstâncias ao nosso redor.

Muitas pessoas se declaram pobres, cegas e nuas e pensam ser isto uma declaração de humildade. Mas esta declaração não esta de acordo com a Nova Aliança.

Hoje não somos mais pobres, hoje em tudo fomos enriquecidos nEle, em toda a Palavra e em todo o conhecimento (I Co 1:5).

Não andamos como cegos. Fomos transportados do império das trevas para o reino do filho do seu amor (Cl 1:13). Deus é luz e não há treva nenhuma nEle (I Jo 1:5).

Não estamos mais nus, pois Ele nos vestiu com vestes de salvação, nos cobriu com manto de Justiça (Is 61:10), nos deu vestes de louvor (Is 61:3), temos a armadura de Deus (Ef 6:13) e podemos nos revestir com o amor fraternal (Cl 3:14). É um guarda-roupa completo, para todas as estações da vida.

Paulo orava incessantemente para que entendêssemos quem somos agora em Cristo.

 

            “Não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações, para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dEle,

iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos

e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder,

 o qual exerceu Ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais,

 acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir não só no presente século, mas também no vindouro.

            E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à Igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas” (Ef 1:16-23).

            Paulo desejava que entendêssemos a esperança do nosso chamado, a nossa herança nos santos, a grandeza do poder que ressuscitou Cristo dentre os mortos, pois este mesmo poder está disponível nos tempos de hoje para quem for capaz de crer.

Deus pôs todos os principados, e potestades, e domínio debaixo dos pés que fazem parte de um corpo do qual Jesus é a cabeça. Nós somos este corpo, todas as coisas estão abaixo de nós.

Apesar disso, por vezes ainda vivemos como meninos inconstantes, sendo levados de um lado para o outro (Ef 4:14). Vivemos, então, com medo. Temos medo do presente, medo do futuro, medo até do nosso passado voltar. Mas o passado não volta e se voltasse não deveríamos ter medo dele, deveríamos ficar felizes em poder reagir diferente em muitas circunstâncias. Mas, ao contrário disso, Deus não nos deu espírito de medo (II Tm 1:7). Vivemos com medo porque não estamos aperfeiçoados no amor, pois o verdadeiro amor lança fora todo medo (I Jo 4:18). Precisamos ter a consciência de que temos o Espírito de poder, amor e moderação a fim de que possamos tomar posse daquilo que somos em Cristo.

Precisamos amadurecer e parar de pensar como crianças, de agir como crianças e de falar como crianças. Precisamos corrigir a nossa confissão, falar de acordo com a Palavra de Deus e principalmente praticar essa Palavra, vivendo de acordo com aquilo que já alcançamos e avançar ainda mais.

            Um Milagre nos Andes – o desfecho

No primeiro capítulo deste livro, citamos um acidente aéreo nos Andes. Dentre os sobreviventes do Fairchild F-227, Nando Parrado tomou a decisão de que tinha que voltar para casa ou morrer tentando. Após dois meses, junto com seu amigo Roberto Canessa, partiu para o impossível: uma caminhada de 100 quilômetros, com várias escaladas no caminho. Após dez dias, encontrou um camponês que salvou sua vida.

Nando ainda guiou a equipe de resgate ao local do acidente, salvando 14 pessoas do total de 45 passageiros. Ele relata em seu livro Milagres dos Andes o que não o deixou desistir. Seu pensamento estava voltado para o seu pai, que ficara no Uruguai – sua mãe e sua irmã haviam morrido na queda do avião. O amor por seu pai e o desejo de reencontrá-lo salvou a sua vida e a de seus companheiros.

O amor é, e será sempre o caminho para vitória.

Lenise Lopes de Freitas é do Ministério Graça e Verdade, membro da Igreja Evangélica Verbo da Vida de Pedra de Guaratiba em Rio de Janeiro/RJ. E-mail: lenisefreitasvv@hotmail.com

Texto extraído do livro Como Deus planejou você . Edição do Autor. Rio de Janeiro-RJ. 2010.